
Durante todo o ano havia se dedicado para esse momento, o Natal. Sabia da sua importância e do quanto era querido por meninos e meninas, por senhores e senhoras, por pais e avós. A sua responsabilidade era imensa e não deixaria de faltar com todas essas pessoas que tanto amava. Afinal seu coração era bom. Verdadeiramente bom.
Cada embrulho, cada laço, cada dedicatória estava relacionado ao comportamento, às cartas e de acordo com pedidos e sonhos. Era o único que coseguia ter a percepção de saber e de julgar conforme a tradição, era bom no que fazia no sentido único da palavra, e estaria disposto a cumprir sua promessa. Até as últimas consequências.
Claro que na dimensão do seu ramo não estaria trabalhando sozinho. Tinha milhares de ajudantes, com responsabilidades iguais ou maiores que a sua. Fazia da sua equipe uma família e estava contente com o resultado atingido até o dia 24 de dezembro. Eram milhões de embrulhos para todos os lugares do mundo. Estavam impecáveis! Sentiu uma alegria no coração e vontade de comemorar. Pediu uma dose de Uísque para uma de suas ajudantes. Estava frio.
A hora se aproximava. A roupa dobrada, gorro cheiroso, sininhos em cima da cama, luvas para o frio, botas para caminhar na neve, e o sinto para contornar sua barriga saliente devido à gula de anos. Era essa sua vestimenta que encantava milhares de crianças. Infelizmente ficou tudo sobre a cama, Papai Noel acabou se embebedando com uma ajudante. Foi encontrado dois dias depois pelado e no meio dos presentes com duas garrafas de Shandon nas mãos. O que vale é o espírito natalino!




