.:* BLOG DO RAFA*:.

Quase chegando a perfeição. Claro. Sem saber o caminho, mas vamos tentando, porque como já dizia o velho mudo : abre aspas "..." fecha aspas !!!

terça-feira, novembro 28, 2006















Arsênio estava cansado, exausto, a ponto de encostar na cama e dormir. Teve um dia quente, estressante, brigou com o chefe e com a namorada. Sua cabeça fervia. Ao mesmo tempo em que o sono chegava, Arsênio pensava em seus problemas tentando achar uma solução, mas infelizmente não tinha.

Há dois 2 meses conheceu Ana Maria, menina linda, rica, e moradora da Barra da Tijuca. Tudo começou em uma boate, depois com um namorinho, e agora lá estava ele andando pelo shopping atrás de uma aliança de compromisso. Pobre Arsênio. Iludido pelas falcatruas do amor e gastando quase todo seu salário para surpreender seu amor. Pobre infeliz.

Estava eufórico nesse dia, pensou nas juras de amor, nas viagens, pensou no tempo em que estavam juntos e em tudo que haviam passado desde àquele dia na boate. Ficou paralisado por algum instante e só voltou a si quando perdeu o ponto. Não ligaria para nada, tudo estava como sempre quis, como sempre sonhou.

Não telefonou como de costume e quis fazer uma surpresa passando no colégio dela. Ana Maria estudava à noite e tinha somente 17 anos, cursava o 3 ano do ensino médio. Ela, havia pensado em Arsênio o dia inteiro, mas Alfredo sabia dominá-la. Deixou o sentimento de lado e correu com Alfredo para fora do colégio. Caminharam em direção a um motel da esquina. Aproveitariam o pouco da noite juntos. Seria sua primeira traição em 5 anos.

Arsênio parado no sinal próximo ao estacionamento e ouvindo The winners takes it all viu de relance Ana Maria de afagos com um outro. O que era para ser um noite de amor, e um jantar a luz de vela no Mariu´s virou notícia de jornal com direito a manchete no repórter das 8. Arsênio saiu com um 38 e apontou para Ana Maria. Trêmulo gritou tudo que estava o encomodando, falou de seus planos, dos seus sentimentos e das juras de amor eterna. Chorou sozinho por um instante. Ainda pensou duas vezes antes de apertar o gatilho. Sabia que acabaria tudo ali, ele , ela e o revólver eram os vilões da história... Só conseguiu lembrar das sirenes e do barulho seco de sua arma. Foi levado sem vida para o hospital. Ana Maria iria em sua cerimônia com Alfredo.

quarta-feira, novembro 15, 2006


Estava chovendo forte. Anatalino tinha perdido a hora e sabia da importância de chegar cedo naquele dia. Abriu o armário e pegou o melhor terno, a melhor loção, escolheu a gravata azul de listras laranja e ajeitou sua calça de tergal tamanho 38 por dentro da camisa. Estava impecável. Nunca em sua vida tinha se vestido tão bem, nem na missa do aniversário de 45 anos de casado de seus pais estava tão elegante. Sabia que tinha de ser hoje.

Chegou ofegante no ponto, e ainda conseguiu ver o 798 passando. Gritou algo para o motorista, mas esse nem sequer tomou conhecimento de seu pranto. Pensou na grande oportunidade que fora oferecida depois de 25 anos de casa. Tinha uma postura invejável na empresa, sempre pontual e prestativo. Conhecia a empresa na palma de sua mão e já era hora de subir de cargo. As prestações haviam se multiplicado e um aumento significativo era algo que ele não rejeitaria.

Morava ainda com seus pais mesmo sabendo que estava com 47 anos. Não se envergonhava disso. Seus relacionamentos nunca haviam progredido, devido ao seu apego materno. Sentia se sozinho de vem em quando, e sempre pedia a Deus fervorosamente para Dona Darcília gostar de suas namoradinhas. Superava tudo isso se embebedando com algumas doses de uísque. Havia adquirido esse vício com o passar do tempo.

Desesperou-se com o aumento da chuva. Seu guarda-chuva já não o protegia da fúria e da força com que a água descia. Olhou para o relógio e mal conseguiu ver a hora. Estava 45 minutos atrasado e faria qualquer coisa ainda para chegar na reunião a tempo. Só não contaria com um banho de lama que levou quando um ônibus lotado passou a toda pelo ponto alagado. Tinha acabado de comprar a grava azul de listras laranjas.

terça-feira, novembro 07, 2006



Resmungou algo qualquer quando sua neta o abraçou. Bolas, enfeites, música alta. Odiava todo esse clima de confraternização e principalmente das pessoas que estavam lá. Preferiria estar em sua cama assistindo a mais um capítulo de Vale a Pena ver denovo. Era a última semana. Mesmo assim teve a certeza que seria inesquecível, pois, afinal ,não é sempre que se faz 97 anos.

Abimael estava desnorteado, perdido num invólucro de alegria e muita festividade. Olhava com perplexidade tudo a sua volta, e todos que vinham cumprimentá-lo. Sabia que estava velho, mas não tanto. Reparou ao olhar para sua sandália rasteira que se sujava em meio a coca-cola e salgadinhos perdidos no chão. Usava a mesma sandália a 48 anos. A mancha não sairia, e nem as memórias desse dia. Sorriu.

Nunca tinha se sentido tão importante na vida, nem nesses 96 aniversários passados. Algo lhe dizia que esse seria único. Pensou na vida ao olhar para o bolo e recordações vieram. Lembrou-se das peladas com bola de meia, das Chacretes boazudas da Tv, do Domingo Legal, do cinema preto e branco. Por um instante sentiu saudade, mas estava feliz com consigo mesmo. O bolo de brigadeiro estigava e fazia soltar sua dentadura que mais tarde de nada serviria. As luzes se apagaram.

Tentou enxergar algo, mas não via nada a sua frente, somente o bolo que estava em chamas. Nunca tinha visto tantas velas reunidas com um único propósito. A fumaça que saía era cada vez mais forte e começou a incomodar sua respiração debilitada. Abimael sentiu falta de ar. Implorou para ser visto. A música alta fazia com que ninguém ouvisse seu desespero. Por um instante sentiu tudo girar a sua volta. Não haveria um primeiro pedaço do bolo.

domingo, novembro 05, 2006


Maldito calcanhar. Depois que passei a chutar com a perna esquerda, todo dia é a mesma dor e no mesmo lugar. Acho que ainda não fixei meu pé direito como de apoio... estou com um calo calejando que está me matando. Maldito calo. Maldita dor!!

Uma coisinha tão pequenininha de merda que me abala até emocionalmente....aff... Torcendo para essa dor passar logo. Enquanto isso só os anti-inflamatórios para aliviar essa tensão... affff...

sexta-feira, novembro 03, 2006



Tinha consciência de tudo. Das luzes, do garçom, da conversa e até da garota da mesa ao lado Evangela. Sabia que tudo estava perfeito e sendo inico de mês estava com dinheiro . Tomar uma cerveja com os amigos era algo que Oldegar não abria mão de maneira alguma e não teria nada demais sendo uma sexta-feira fria.

Sentiu o frio da noite em seu rosto. Aquela brisa de inverno realmente o contagiava e fazia querer embebedar-se. Todo aquele charme de se morar perto do mar, sentado num quiosque, e vendo o reflexo da lua na água o fazia esquecer de seus problemas. Sua atenção agora só se voltava para Evangela que jogava olhatelas em sua direção. Sentiu um clima no ar.

Oldegar comentou algo com os amigos a respeito de Evangela. Sabia que essa seria fácil. A moça estava o devorando com os olhos e ele sentiu que tinha que fazer algo. Arrumou o cabelo e puxou um Trident de canela do bolso. Pegou um palito qualquer e limpou uns ultimos vestígios de salame que insistiam em prender nos dentes da frente. Agora sim. Perfeito. O show haveria de começar. Era sua vez.

Andou em sua direção. Com coragem e determinação. Já tinha em mente tudo a dizer, e como desenrolar na situação. Evangela agora o olhava fixamente e comentava algo com sua amiga enquanto dava aquela última golada no vinho. Sorriu com Oldegar chegando perto de seu rosto.

Só não contava com o descuido do garçom que esbarrou em Oldergar que acertou com velocidade a taça de cristal sobre a mesa. O vinho voou em direção a Evangela que surtou com aquele tom roxo em seu vestido branco. Era o fim. Tinha comprado para mais um casamento que desistira. Era seu 9. Rasgou o vestido e pediu um Cowboy sem gelo. A noite estava apenas começando.