.:* BLOG DO RAFA*:.

Quase chegando a perfeição. Claro. Sem saber o caminho, mas vamos tentando, porque como já dizia o velho mudo : abre aspas "..." fecha aspas !!!

terça-feira, outubro 31, 2006


Olhou a sua volta e não viu ninguém. Esperou e esperou, mas não obteve resposta alguma. Seu celular continuava imóvel, sem vida, assim como seu rosto que demonstrava todo o seu pesar. Tinha certeza do lugar e do horário combinado. As flores começaram a murchar. O sol se pôs e começou a escurecer.

Cáceres era muito estranho, começando pelo nome dado por seu pai em homenagem a seu avô guerrilheiro. Tinha sangue de um soldado destemido, valente quase imortal, mas naquelas veias só corriam medo e insegurança. Era introvertido e sem graça. Tinha vergonha de si mesmo. Acho que por isso não conquistou Jacinara quando teve oportunidade. Agora talvez fosse tarde.

A hora corria depressa, já estava escuro, e o pipoqueiro já recolhia sua barraca naquela praça. Já não se via quase mais nada. As lâmpadas eram fracas, e iluminavam um raio muito curto deixando o ambiente um tanto quanto perigoso. Avistou de longe um vulto sem saber bem certo quem ou o que era.

Num certo momento as flores cairam se despedaçando naquele duro cimento do asfalto. Sentiu algo frio perfurar sua barriga após um grito assustado e desesperado por dinheiro. Aquele mesmo vulto agora tinha cor e vida. Cáceres não. Não era seu dia de sorte. Acho que nunca tivera. Jacinara estava a caminho após ter perdido o ônibus das 7:30.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Tem momentos que tudo parece voltar no tempo, tudo torna-se amarelado como antigas mensagens encontradas em garrafas na água. Mensagens que um dia foram enviadas com amor, fé e esperança de serem lidas por seus filhos, pais, amantes... Mensagens que trariam força, coragem e matariam a saudade daqueles que estavam milhas, quilometros, dias, meses ou anos longe das pessoas que mais amam. É... amar. Um sentimento que tem vários significados, várias faces, vários momentos e várias interpretações.

Não sei se é sorte amamarmos alguém, se é sorte ser amado por alguém, mas sempre fica a dúvida se realmente é bom amar. Sofrer, chorar, rir, gargalhar. São dois gumes, duas caras, dois coringas que carregam em seus ombros dor ou alegria. Amar.

Momento agora para refletir, de estipular prioridades, para saber se realmente é hora de desistir ou arriscar. Ter a certeza de fazer escolhas certas, para não haver um arrependimento promissor. Jogar algo que pode dar certo fora? É.... difícil, porém tem coisas que influenciam tanto para o lado ruim quanto para o lado BOM que é o que mais queremos. E até mesmo porque para o amor só existe um caminho...

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quarta-feira, outubro 18, 2006





"Os opostos se distraem, os dispostos se atraem"





Manuel tinha vinte anos e estava a conhecer o lado bom da juventude. Estava fazendo tudo que um dia sonhara: festas, mulheres, bebidas e até sua independência financeira já possuía. Seus pais não ligavam e nem se importavam com o que pensava, o que sentia. Já era sujeito homem de acordo com seu pai, e isso deixava Manuel com pesar, mas não o enfraquecia. O fortalecia.

Os anos se passaram e Manuel foi aprendendo , criando feridas e deixando cicatrizes sem nunca ficar por baixo das dificuldades. O dia-a-dia as vezes era injusto com tamanha bondade que existia em uma pessoa tão discreta e simples como Manuel, até seus amigos por mais sinceros que fossem o invejavam e ele sabia, mas não ligava e isso o fortalecia.

O amor era um sentimento bastante conhecido por Manuel. Tivera algumas namoradas, mas nunca tinha encontrado aquela que o valorizasse com a mesma vibração com que ele se entregava nos relacionamentos. O que sobrava no final era sempre um coração partido com muito ódio, pesar e desesperança. Manuel ficava meses abalado, mas não fraquejava. Tinha esperança no futuro e isso o fortalecia.

Conheceu uma menina especial, Manuela, desde o inicio sabia que poderia ser ela, mas só o tempo diria àquele coração desesperançado. Contudo Manuel tinha dúvidas, receios, tinha insegurança, não sabia a hora certa e se existia uma hora certa, ou se nós que inventávamos essa tal hora para diminuir dor, sofrimento, ansiedade ou pura superstição com relação aos nossos sentimentos. Manuel estava confuso, e isso não o fortalecia.

Manuel pensava em ligar para ela muitas horas do seu dia e algumas vezes falava com ela através de programas de computador, pois a rotina era ingrata com ambos e ele sempre tentando deixar seu pedacinho, seu valor e mostrar o grande valor dela para ele, mas as vezes ele se sentia fraco, sozinho, e se realmente era isso que deveria fazer. Não sabia o que fazer. E isso não o fortalecia.

Sempre tentou ser ele, mas quando fizera isso sofreu. Estava confuso de como entrar nesse relacionamento. Os outros inibiram essa espontaneidade. Manuela transparecia confiança, e alguma coisa mais, e isso fazia com que Manuel acreditasse naquele olhar meigo e simples. Tinha certeza, mas tinha medo. As vezes algumas atitudes dela o confundia, pois ela não era tão clara em seus pensamentos e nas suas atitudes. Acreditar e confiar nela estava o confundindo, mas era isso que ele queria. E isso voltou a fortalecê-lo.

Manuela ainda esperaria uma ligação de Manuel durante a semana que segue, pois o fim de semana vem com pressa, e a saudade de ambos e vice e versa também. Manuel gastou mais de 50 reais em celular, tomou um esporro, mas continua......ainda vai ter um final, triste ou feliz, vai depender de sorte, da lua, do sol, de crença, ou simplesmente de ambos.